Contabilidade 11 de janeiro de 2026

Split Payment: o que é e como as empresas podem evitar riscos tributários em 2026

Split Payment é um dos temas mais importantes da Reforma Tributária e tende a mudar profundamente a forma como empresas lidam com impostos, fluxo de caixa e compliance fiscal a partir de 2026. 

Para os empresários, entender esse novo modelo é uma questão de atualização, mas também de sobrevivência financeira, sendo essencial para a redução de riscos tributários.

A Emenda Constitucional 132/2023 redesenhou a tributação sobre o consumo no Brasil, criando o modelo de IVA Dual, composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal). Dentro dessa nova lógica, o Split Payment surge como um mecanismo operacional que muda como o imposto é pago.

Essa mudança tem impacto direto na rotina financeira das empresas, especialmente daquelas enquadradas no Lucro Presumido e no Lucro Real.

O que é Split Payment?

O Split Payment é o pagamento fracionado da operação. No momento em que uma venda é realizada, o valor correspondente ao tributo é automaticamente separado e direcionado ao Fisco, enquanto o valor líquido segue para o fornecedor. Ou seja, o imposto não passa mais pelo caixa da empresa, pois é recolhido no momento da transação.

O Split Payment na reforma tributária ganha relevância porque atende a dois objetivos centrais do novo sistema: reduzir a inadimplência e aumentar a rastreabilidade das operações.

Para o governo, significa mais controle e previsibilidade de arrecadação. Para as empresas, isso significa menos espaço para erros manuais, mas também menos flexibilidade financeira.

Esse novo paradigma rompe com a lógica atual, em que o imposto é embutido no preço e recolhido em datas futuras, criando uma janela de tempo que muitas empresas utilizam, conscientemente ou não, como capital de giro.

Como o Split Payment funciona na prática?

O Split Payment será viabilizado por uma forte integração entre sistemas fiscais e financeiros. A emissão da Nota Fiscal eletrônica passa a dialogar em tempo real com meios de pagamento como PIX, boletos, cartões e transferências bancárias. A partir dessas informações, um sistema de apuração automática calcula o tributo devido e faz a separação imediata dos valores.

Isso significa que a tributação acontece ao mesmo tempo que a venda. O fornecedor recebe apenas o valor líquido da operação, enquanto a parcela referente à CBS e ao IBS é destinada diretamente aos cofres públicos.

O modelo reduz o risco de não recolhimento, mas também elimina a possibilidade de postergação do pagamento do imposto. 

Para empresas com alto volume de transações, essa automação promete mais previsibilidade fiscal. Por outro lado, exige sistemas confiáveis, classificação fiscal e processos internos muito bem ajustados.

Impactos no fluxo de caixa e na contabilidade

Um dos principais efeitos do Split Payment está no fluxo de caixa. Hoje, muitas empresas contam com o intervalo entre a venda e o recolhimento do imposto para equilibrar despesas operacionais.

Na prática, isso obriga gestores financeiros a repensarem margens, prazos, preços e até modelos de negócio. Empresas com margens apertadas ou grande volume de vendas ao consumidor final podem sentir o impacto de forma mais intensa.

Do ponto de vista contábil, o Split Payment também muda registros e conciliações. O imposto deixa de ser uma obrigação a pagar futura e passa a ser tratado como um valor que sequer ingressa no caixa. Isso exige ajustes nos lançamentos contábeis, nos relatórios gerenciais e nos indicadores financeiros utilizados para tomada de decisão.

Apesar das promessas de simplificação e segurança, os riscos do split payment não podem ser ignorados. Um dos principais está relacionado a erros de classificação fiscal. Se um produto ou serviço for enquadrado incorretamente, o sistema pode reter imposto a maior, afetando diretamente o caixa da empresa.

Além disso, com o recolhimento automático, qualquer erro tende a ser percebido depois que o dinheiro já foi direcionado ao Fisco. Se os processos de devolução não forem ágeis, o impacto financeiro pode ser grande.

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Conheça as modalidades de Split Payment

A regulamentação do Split Payment prevê diferentes modalidades de aplicação, que variam conforme o nível de maturidade fiscal da empresa, o tipo de operação e o grau de integração tecnológica disponível. A intenção é permitir uma transição gradual para o novo modelo.

Split Payment Simplificado

Essa modalidade foi pensada para operações em que não é possível calcular o tributo com precisão no momento da venda ou quando há maior risco fiscal envolvido, como nas vendas ao consumidor final (B2C) ou em transações com contribuintes considerados irregulares. 

Nesse modelo, o sistema aplica percentuais padronizados de retenção sobre o valor da operação, garantindo que uma parcela do imposto seja recolhida automaticamente.

Split Payment Inteligente

Voltado principalmente para operações entre empresas (B2B) e contribuintes regulares, esse modelo utiliza a integração entre dados de débito e crédito tributário para calcular o valor exato a ser retido em cada transação. 

O sistema cruza informações da nota fiscal, do regime tributário e das regras aplicáveis, permitindo uma retenção mais justa e alinhada à realidade da empresa.

Split Payment Superinteligente

Ainda em estágio conceitual, essa é a versão mais avançada do modelo, onde o sistema analisa em tempo real a situação fiscal da empresa no momento da operação, considerando créditos acumulados, histórico de conformidade e obrigações pendentes.

A retenção acontece apenas sobre o valor líquido efetivamente devido, o que minimiza impactos no caixa e aumenta a precisão do recolhimento. Por outro lado, esse formato exige alto nível de digitalização, integração total de sistemas e uma governança fiscal bem mais robusta.

Como se preparar para essa e outras mudanças na Reforma Tributária 2026?

A preparação para o Split Payment deve começar muito antes da implementação das mudanças em 2026. O primeiro passo é realizar um diagnóstico tributário completo, mapeando tributos incidentes, riscos ocultos e oportunidades de recuperação de créditos. Sem essa visão estratégica, a empresa entra na nova lógica apenas reagindo às mudanças.

Também é fundamental revisar processos financeiros e simular cenários de impacto no fluxo de caixa. Entender como a retenção imediata dos tributos afeta a operação permite ajustes antecipados em preços, contratos e planejamento financeiro.

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Contar com uma consultoria especializada da Tax Advice atua justamente onde muitas empresas têm mais dificuldade: na visão estratégica do sistema tributário.

Por meio do Diagnóstico Tributário, a Tax Advice analisa profundamente SPEDs, folhas de pagamento e obrigações acessórias dos últimos 5 anos, identificando contingências fiscais e oportunidades de economia legal. 

Esse mapeamento é essencial para preparar a empresa para o Split Payment e para a nova lógica da Reforma Tributária.

Além disso, soluções tributárias como revisão de tributos federais e estaduais, recuperação de créditos de PIS/Cofins, ICMS, IPI e revisão previdenciária ajudam a fortalecer o caixa antes mesmo da implementação do novo modelo.

A Reforma Tributária traz desafios reais, mas também oportunidades para empresas que se antecipam. Em 2026, as empresas mais preparadas também serão aquelas que pagarão menos imposto por planejar e estruturar seus processos no modelo de Split Payment.

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